Por que médias nacionais enganam
A chuva média do Brasil é dominada pela Amazônia, onde quase não há soja. Uma semana seca em Mato Grosso pode passar despercebida em um número nacional e ser decisiva para a safra. Ponderar pela área da cultura corrige isso e ainda permite que o mesmo país tenha um sinal climático diferente para cada cultura.
Como é calculado
Parte-se de dados climáticos em grade: uma reanálise como o ERA5, do Copernicus Climate Change Service, para o histórico, e um modelo de previsão como o IFS do ECMWF para os dias recentes e as próximas duas semanas. Sobrepõe-se um mapa da área colhida de cada cultura, pondera-se cada ponto da grade pela área e agrega-se por região e país.
Comparar com os mesmos dias do calendário nos últimos 5 ou 10 anos transforma os valores brutos em anomalias, que é o que move os mercados. Expressar as anomalias em desvios-padrão permite comparar regiões com climas muito diferentes.
Como ler bem
Alguns hábitos ajudam:
- Olhe a chuva acumulada em 10 a 30 dias, não dias isolados
- Foque na fase sensível da cultura: polinização, enchimento de grãos, florada
- Confira a previsão contra os dados observados à medida que chegam
- Exclua regiões onde a cultura é marginal para não diluir o sinal
Perguntas frequentes
- O que é o ERA5?
- O ERA5 é a reanálise climática global de quinta geração do ECMWF, produzida pelo Copernicus Climate Change Service. Ela fornece dados horários desde 1940 em uma grade consistente.
- Até quantos dias a previsão do tempo é útil para as lavouras?
- Previsões determinísticas e por conjunto são mais confiáveis por cerca de 10 a 15 dias; depois disso, as perspectivas sazonais dão probabilidades, e não valores específicos.